Novembros
As pálpebras indolentes
lutam contra a visita
do dia
Implacável, mesmo de
luto,
Resoluto, veio bater o cartão de ponto
ensaiando com luz tímida
o seu espetáculo rotineiro
no palco da minha janela
As nuvens
vertiginosamente cinzentas
Arranham o resto do azul
Desta manhã de
novembro
Meu peito, alvo dardejado
refúgio de aguilhões de palavras
Jogadas em compilações diversas
Não tentei, nem
ansiei fugir
Ainda que não fossem minhas
Também não eram de mais ninguém
Recebi-as de bom grado
E a manhã cinzenta de novembro
Contorcia-se em lágrimas
Que insistentemente orquestravam o telhado
Sonata em dor maior
Lá fora e aqui dentro
E.Manja

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