A tumultuada multidão
Que estampava a paisagem
Com fundas pegadas entalhadas
N'areia morna e noturna
Celebrava o raiar de um novo dia
Misturados a leve brisa que eu respirava,
Perfumes impregnavam a atmosfera beira mar
Fazendo companhia à salinidade trazida pelo ar
Degustada pelo sorver da minha língua
Ao redor dos lábios
Ecos, ondas, cânticos e rezas...
Confundiam-se com o som das palavras
Bafejadas entre goles de doce espumante
Embriaguei-me dos místicos instantes
De mais um giro da terra em torno do sol
Coriscos luminosos explodiam
Em luzes de cascatas multicoloridas
Velas, (ritos), oferendas, flores e patuás...
Poderiam ser o bastante para devolver
Tudo aquilo que a humanidade perdera
Precipitei-me entre as ondas sutis e calmas
Percebi que hoje sou o bastante do jeito que sou
Deixei a poesia possuir meu corpo
Deixei a poesia possuir minh'alma
Meu cálice transbordou de paz
Junto a mim, os prazeres do céu
Junto a mim, os pesares da terra
Os primeiros, semeio e deixo florecer em mim
Os segundos, transfiguro em uma nova linguagem:
Poética!

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